Médicos denunciam caos na saúde de Campos

Em nota médicos de Campos denunciaram o que classificam como caos na saúde pública de Campos. A categoria se reuniu na última terça-feira (3) na Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia. No texto, os médicos dizem que a nota tem por objetivo esclarecer à população sobre a situação.

No texto os profissionais lembram que há mais de um mês se reuniram com o prefeito Rafael Diniz solicitando providências, mas até agora nada foi feito.

Leia a nota na íntegra

Em reunião extraordinária, realizada em 03 de outubro de 2017, às 19 horas, na Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia, com a presença de representantes do sindicato dos médicos de Campos dos Goytacazes e do presidente do CREMEJ- seccional Campos dos Goytacazes, os médicos se reuniram em caráter de urgência, diante do caos na saúde pública do nosso município, a fim de prestar esclarecimentos à população e tomar providências para minimizar os agravos.

Há mais de um mês, tendo em vista as péssimas condições de trabalho e a grande deficiência de insumos e medicamentos, bem como a falta de estrutura das unidades de saúde, nossa classe se reuniu com o prefeito e a secretária de saúde para expor os graves dilemas enfrentados no nosso cotidiano de trabalho.

Dialogamos com os gestores e protocolamos documentos com as demandas médicas que precisavam ser prontamente atendidas pelo risco de sérios prejuízos à população e à qualidade do serviço que prestamos.

Solicitamos um relatório de gastos com a saúde para tentarmos entender a problemática,  mas não obtemos retorno. Nos foi dado um prazo de 1 mês para reposição de insumos e medicamentos , porem não vimos nenhuma medida efetiva para mudança do quadro; pelo contrário, atualmente assistimos a um cenário sombrio como resultado deste descaso.

Gostaríamos de enumerar, de forma sucinta, os graves problemas que estamos enfrentando na saúde municipal:

– Foi reduzida, arbitrariamente, a equipe de médicos plantonistas da UPH de Guarus, UPH da Saldanha Marinho e do Hospital São José,  medida que sobrecarregou demasiadamente os serviços que já possuem  uma demanda enorme , além de ter motivado a demissão de vários médicos pela absurda sobrecarga de trabalho imposta sem diálogo algum, o que consequentemente acarretará danos diretos aos usuários, pelo aumento do tempo de espera e pela diminuição de profissionais para atende-los;

-Foi extinto o serviço de ortopedia para cirurgias eletivas que realizava cerca de 200 cirurgias/mês, que contava com uma equipe de 12 cirurgiões ortopédicos. Também foi desmontada a rede de apoio que existia nos hospitais contratualizadas para ortopedia,  com redução de 95 % das transferências antes realizadas de pacientes ortopédicos oriundos do HFM para SPBC, HPC e SANTA CASA .

-Tendo em vista o fechamento de várias unidades básicas de saúde e o fechamento dos serviços médicos especializados  dos hospitais contratualizados, houve uma superlotação nos hospitais de emergência de grande porte (HGG e HFM), com sobrecarga das equipes médicas e da estrutura dos hospitais. Mesmo diante disso, apesar de diversos apelos dos profissionais aos diretores e superintendentes, não foi permitida a substituição do plantonista que tem direito a férias. Tal medida atinge não só os médicos, que ficam sob estresse excessivo, como também os pacientes que terão menos profissionais para assisti-los;

-Demissão coletiva dos médicos sob regime de RPA motivada pelo atraso de 2 meses nos seus vencimentos, além de terem sido surpreendidos pelo corte de 60% nos salários e pela incerteza dos seus próximos pagamentos. Outubro iniciou com muitas unidades de saúde sem médicos. Por causa dessas demissões, a UBS do Farol já não conta com cerca de 17 médicos “RPAs” e como consequência encontra-se sem atendimento médico em vários dias da semana. No dia 02/10/2017, foi noticiado que uma senhora que chegou em PCR na UBS do Farol, faleceu sem atendimento médico; ao ser levada para a UBS de Baixa Grande também não encontrou médico, pelo mesmo motivo: demissão.

A UPH de Guarus encontra-se fechada para atendimento médico desde 01/10/2017 , em vários dias da semana , também devido à demissão em massa , especialmente motivada  pela falta de pagamento e também pela retirada de um plantonista de cada equipe.

A atual falta de médicos nos serviços de emergência, demonstra a urgência da realização de um processo seletivo ou concurso para regularização desses profissionais. O movimento tomou ainda maior proporção após reunião realizada em 02/10/2017 com o prefeito, secretária de saúde, diretores clínicos e representantes dos médicos “RPAs”. Mais uma vez, não foi dada solução para cumprimento do pagamento dos salários, foi confirmado o corte salarial e não houve estipulação de data fixa para pagamento.

– Foi protocolado documento pelos médicos obstetras, pediatras e anestesistas que formam o corpo clínico da maternidade da SPBC, que resolveram diante do não pagamento dos honorários e do não estabelecimentos de calendário de pagamento, devido ao não cumprimento pela prefeitura das cláusulas da contratualização municipal, que irão paralisar o atendimento na maternidade a partir de dia 01/11/2017;

-Fechamento de várias enfermarias de especialidades que funcionavam nos hospitais contratualizadas, dentre elas: cirurgia vascular, cirurgia torácica, gastroenterologia, ortopedia, clínica médica e cardiologia. Fato que implica em grave dano ao paciente que fica aguardando “vaga inexistente” nas enfermarias referidas e, por isso, inflam até os corredores dos hospitais de emergência em situação precária de acomodação. Dessa forma, portanto, vão permanecendo sem a devida estrutura (leitos adequados nas enfermarias ou nas unidades fechadas) e sem o seguimento devido (cirurgias ou procedimentos).

É com grande pesar que relatamos, sobretudo, vivenciamos essa realidade que viemos tentando anunciar e evitar. São  10 meses aguardando alguma mudança positiva nesse cenário e, até então, sequer ouvimos palavras de esperança dos nossos gestores.

Convocamos assembleia geral para o dia 17/10/2017, na sociedade fluminense de medicina e cirurgia e contamos com a presença de todos os médicos servidores públicos da cidade para colocarmos em pauta a votação que decidirá a possibilidade de greve e a tomada de outras decisões junto aos nossos órgãos representantes.

Campos dos Goytacazes, 03 de outubro de 2017

Atenciosamente,

Médicos de Campos dos Goytacazes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: