Crise hídrica: eclusa é solução para recuperar trecho do Rio Paraíba

O debate sobre a crise hídria no Norte Fluminense teve início ontem (18) na cidade de Quissamã, que sediou a Plenária do Comitê de Bacias Hidrográficas do Baixo Paraíba e Itabapoana, órgão que é vinculado ao Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap). O foco das discussões ficou em torno da necessidade de medidas para mitigar problemas causados pela redução da lâmina dágua da Lagoa Feia, segunda maior lagoa de água doce do Brasil. A crise hídrica continua em pauta hoje com grande debate em Campos no câmpus da UFRRJ com foco nos canais Coqueiros e Cambaíba que carream água do Rio Paraíba do Sul pelas terras agricultáveis da Baixada Campista, mas que estão secos, devido ao baixo nível do combalido Paraíba do Sul que na medida que os anos passam cada vez mais perde volume. Técnicos e leigos apontam a construção de uma eclusa em Barcelos, limite de Campos e São João da Barra.

A construção da eclusa pode elevar o nível do rio, de forma controlada e proporcionar muitos benefícios, com impacto positivo ao meio ambiente. O secretário de Agricultura de Campos, Nildo Carodos, informou com exclusividade ao Monitor News que empresa especializada, com know how na execução de projeto dessa natureza já foi contactada pela Secretaria de Agricultura do município que já articula parceria com a Prefeitura de São João da Barra. “Após os estudos e os entendimentos entre o Prefeito de Campos, Rafael Diniz, e a prefeita de São João da Barra, Carla Machado e órgãos ambientais, a proposta do projeto será levada ao Governo Federal que exerce competência sobre o rio Paraíba do Sul”, detalhou Nildo Cardoso.

Embora a proposta de construir a eclusa no Rio Paraíba do Sul encontre resistência em alguns ambientalistas, técnicos e membros dos próprios órgãos de controle ambiental defendem a idéia e apontem benefícios, principalmente para o meio ambiente. A eclusa aumentaria o nível do rio entre Campos e São João da Barra, e assim os canais que ligam o velho Paraíba à Lagoa Feia seriam ressuscitados. Membro do Plenário do Comitê Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana, Luiz Mário Concebida, gerente executivo da Firjan Norte Fluminense, bem como o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca de Campos, Nildo Cardoso, estão entre as autoridades que defendem o projeto, embora reconheçam as dificuldades para a execução: a boa vontade do Governo Federal, porque o projeto é caro, porém viável.

Eclusa em parceria entre Campos, SJB e União freará língua salina

O secretário de Agricultura, Nildo Cardoso disse que é a favor da proposta porque “ela é a única alternativa viável porque a elevação do nívei do rio não afetará o meio ambiente, mas pelo contrário, promoverá reparos aos danos ambientais que afetam Campos e São João da Barra, que hoje já correm o risco de ter problemas em breve com o desabastecimento das duas cidades”.

Nildo e Luiz Mário são unânimes em afirmar que a construção da eclusa na altura do distrito de Barcelos “poderá elevar, de forma controlada o volume do Paraíba e isso freará a língua salina que nos últimos anos, devido a pouca força do rio, tem permitido que a língua salina do mar tenha adentrado por cerca de 15 quilômetros no rio, conforme os pequisadores da Uenf tem constatado.d

Dentre outros benefícios apresentados por quem defende a eclusa como alternativa para a recuperação do Paraíba no trecho entre Campos e São João da Barra, está a possibilidade de regulação do nível do lençol freático em grande parte do território da Baixada, cujas terras agricultáveis correm o risco de virar um extenso deseerto, apesar  de ser cortada pela maior malha de canais do Brasil, com mais de 1200 quilômetros, mas que estão assoreados e desaparecendo, na proporção que o Paraiba cada vez mais recebe grandes sangrias desde São Paulo até o sistema Guandu e na região Noroeste do Estado, onde foi construída a mais recente Usina Hidrelétrica do Estado, em Itaocara.

Em Quissamã, Comité destaca necessidade de manter nível da Lagoa Feia

Na reunião dos membros do Ceivap nesta terça-feira (18) em Quissamá, que foi aberta pela prefeita Fátima Pacheco e pelo diretor-presidente do Comitê, João Gomes, no anfiteatro da Prefeitura, ficou patente a preocupação com a redução evolutiva da lâmina d´água da Lagoa Feia e de outros recursos hídricos a ela interligados. Atualmente, o nível de água da Lagoa Feia, segundo o Comitê é de 3,69 metros, mas agricultores e pescadores alegam ser de 3,40 metros.Em maio, o Ceivap vai definir para a Câmara Técnica discutir a situação das comportas entre os municípios de Quissamã e Campos.

A prefeita destacou a importância de assegurar a chegada da água da Lagoa Feia nas pequenas propriedades “Quissamã ficou afastada durante algum tempo das discussões com o Comitê e, com a crise hídrica, diversos segmentos da economia sofreram prejuízos. Vamos retomar as discussões com o Inea para encontrarmos uma solução”, disse Fátima.

O presidente do Comitê, João Gomes, lembrou que as decisões da entidade gestora são tiradas através de consenso e votação dos membros. “O Comitê é deliberativo e não executa obras. Essa função é dos órgãos estaduais e federais”, explicou.

O coordenador de Turismo, da secretaria de Desenvolvimento Econômico de Quissamã, Luiz Carlos Fonseca, falou sobre os recursos hídricos do município, destacando as lagoas da Ribeira e Paulista, e o fiscal da secretaria de Meio Ambiente, Turismo e Pesca, Luiz Antônio Fernandes ressaltou a atual situação ambiental do patrimônio natural, com apresentação da fauna e flora de restinga.

Participaram ainda da plenária, representantes da Agência da Bacia do Rio Paraíba (Agevap), responsável pelos projetos encaminhados ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea); Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), diretores da Associação de Pescadores, secretários municipais de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, Arnaldo Mattoso e de Agricultura, Meio Ambiente e Pesca, João de Nilo, além do presidente da Câmara Municipal, Luciano Pessanha e dos vereadores José Borba, Luiz de Acil e Calico.

Rep: Jualmir Delfino

 Foto Gérson Gomes

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