Crise abala indústria do petróleo e causa demissões em massa em Macaé

A crise econômica que atinge com força o Brasil não perdoou a indústria do petróleo, em Macaé o desemprego assusta o setor. Se no passado eram em torno de 16 mil empregos off shore, cerca de 8 mil da própria Petrobras e mais 8 mil terceirizados, hoje houve uma redução de cerca de 50%, segundo levantamento do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro NF). Quem conseguiu permanecer não está seguro, as demissões seguem em ritmo acelerado.

De acordo com o diretor do Sindipetro NF, Tezeu Bezerra, com a crise a Petrobras perdeu cerca de 6 mil postos terceirizados. Mais em torno de 2 mil trabalhadores deixaram a estatal através do Plano Integral de Demissão Voluntária (PIDV). Em uma semana, no começo de 2017, somente uma empresa chegou à mandar embora quase 900 trabalhadores, diz o Sindipetro. Redução de salários seria outro grave problema.

“Beira a 60%. Quem não aceita vai para a rua”, conta o sindicalista. Bezerra disse que numa área de produção, por exemplo, onde havia oito trabalhadores, em tempos de crise econômica esse número caiu para quatro. “Houve também redução de investimentos por parte da Petrobras. Evidentemente que a tendência é de queda na produção e nos postos de trabalho”, prevê o diretor o Sindipetro.

As conseqüências de tamanha crise são as mais diferentes possíveis: a economia em baixa causada pelo cenário geo político do petróleo, a partir de 2014; queda no preço do barril do petróleo; e por último a Operação Lava Jato que entrou com tudo nas contas da Petrobras. Macaé também sofre. O comércio já não vende como antes e as demissões estão em alta, nos hotéis e restaurantes a freqüência é bem inferior aos áureos tempos. A arrecadação da cidade também despencou, pois 27% de tudo que entra nos cofres da Prefeitura vêm dos royalties do petróleo.

Tezeu Bezerra está na estatal há 10 anos, filho de petroleiro, ele diz que seu pai conta que essa é a pior crise que o setor sofre. “Estão todos preocupados com a situação, é a crise mais feia do setor”. E não é só isso, com as demissões a insegurança passou a fazer parte do dia a dia de quem trabalha principalmente nas plataformas. “O pessoal trabalha a baixo do limite”, observou o diretor do Sindipetro.

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