Campos dos Goytacazes, com porte de capital, completa 181 anos na categoria de cidade

É na data de 28 de março que é celebrado o aniversário de Campos dos Goytacazes, maior cidade do interior do estado do Rio de Janeiro. Mas pelo aspecto histórico há controvérsias. Situado no extremo norte do Estado do Rio de Janeiro, o atual município outrora foi alçado à categoria de cidade em 28 de março de 1835, mas sua história pode ser contada desde meados do século 16,quando Dom João III doou a Pero Góis da Silveira a capitania de São Tomé, cujo nome, posteriormente, passou a Paraíba do Sul e já existia independência administrativa. A primeira Câmara de Vereadores foi instalana no ano de 1653, daí, 364 anos.

Cidade de destaque no passado por sua cultura,por sua pujante economia no ciclo do café e do açúcar, desde a escravatura até o surgimento das usinas no século XIX, a Campos atual se destaca no cenário nacional por abrigar a maior bacia petrolifera do Brasil, responsável por mais de 80% da produção nacional. No que pese a importância da commoditie petróleo na economia globalizada nesta metade da segunda década do século XXI, Campos vivencia a ruina do setor sucroalcooleiro, mas continua em destaque na pecuária, por ser o primeiro do ranquing da criação de bovinos do estado do Rio de Janeiro.

Importância da cidade no cenário nacional

A história de Campos é rica, fascinante e cheia dos mais diversos e importantes acontecimentos. A Guerra do Paraguai, por exemplo, com a partida dos primeiros voluntários, em 28 de janeiro de 1865, pelo vapor Ceres. O movimento do abolicionismo também encontrou eco em Campos. A campanha abolicionista teve seu ponto alto em 17 de julho de 1881, com a fundação da Sociedade Campista Emancipadora, que propagava a luta pela emancipação dos negros, tendo, na pessoa do jornalista Luiz Carlos de Lacerda, o seu maior expoente. Não se falando do grande vulto José Carlos do Patrocínio, conhecido como Tigre da Abolição.

As visitas do imperador D. Pedro II e a luta republicana foram outros marcos da história de Campos, assim como o início da indústria do açúcar e a descoberta de petróleo na bacia sedimentar campista, a 80 quilômetros da costa. O surgimento, em 1652, da agroindústria açucareira, com a instalação do primeiro engenho em Campos, hoje em fase difícil, dava início ao progresso na nossa região. Mas a descoberta oficial do petróleo veio reativar o desenvolvimento do município.

A introdução do primeiro engenho a vapor na região, em 1830, trouxe grande transformação no processo de produção de açúcar. E o aparecimento da ferrovia, em 1837, com a inauguração do trecho Campos-Goitacazes; e posteriormente em direção ao trecho Norte-Sul, facilitou a circulação, transformando o município em centro ferroviário da região. O cultivo da cana-de-açúcar – hoje um dos principais produtos da região – teve início, provavelmente, no final do século XVII. No século XVIII, os engenhos da área se especializaram na produção de aguardente.

Progresso pioneiro

Conforme dados do Anuário Estatístico, o pioneirismo é outro grande destaque na História de Campos, que primeiro impulsionou o progresso fluminense, como registraram os documentos:

1831

Lançou seu primeiro jornal “Correio Constitucional Campista”;

1832

Era fundada a primeira loja maçônica – a Firme União a primeira loja a ser criada no Brasil;

1844

Inaugurou a hoje mais antiga livraria do Brasil – “Ao Livro Verde”;

1847

Era inaugurada a firma Machado Vianna S/A e em 1856 foi a inauguração da Confeitaria Francesa, ambos estabelecimentos funcionando até hoje;

1869

Fazia a sua primeira ligação telefônica para o ex-Distrito Federal, atual Rio de Janeiro;

1870

Era fundada a Sociedade Musical Lira de Apolo, uma das mais velhas bandas de música do Brasil;

1872

Começava a funcionar o Banco Comercial Hipotecário de Campos (“Banco do Vovô”), atual Bamerindus, o quarto estabelecimento de crédito em antigüidade no Brasil.

1873

Campos inaugurou a sua primeira Estrada de Ferro. Itinerário: Campos para São Sebastião, atual 4º distrito do Município;

1875

Uma Estrada de Ferro para Imbetiba (Macaé-RJ) e 1879 uma outra era inaugurada para Carangola-MG;

1879

Foi construída a primeira Usina de Açúcar – a Usina Central do Limão

1883

Foi a primeira cidade da América do Sul a adotar o sistema de iluminação elétrica;

1912

Eram fundados os clubes esportivos Rio Branco, Goitacaz e Campos, entre muitos e muitos outros acontecimentos fluminenses, como o inicio do culto evangélico no Estado, começando por Campos em 18 de julho de 1874, e o primeiro telégrafo em 02 de dezembro de 1869.

Desenvolvimento Econômico

O desenvolvimento recente, embora ainda ligado à indústria canavieira, se direciona em outros rumos, favorecido pelo surgimento de pequenas empresas, como as indústrias cerâmicas, da ampliação do setor comercial e de serviços, para o qual também contribuiu a atividade petrolífera na plataforma continental.

Atualmente, a cidade possui uma rede de serviços completa, com diversos bancos, hotéis, restaurantes, escolas, clínicas, etc. Transformou-se em pólo universitário, após a instalação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), com universidades e faculdades dos mais variados cursos. Na área da comunicação, Campos dispõe de três emissoras de televisão, afiliadas às principais no país: Rede Globo, SBT e Record, além de diversas emissoras de rádio e cinco jornais locais. Campos possui várias linhas de ônibus que interligam seus diversos bairros e distritos mais longínquos, como Santo Eduardo e Santa Maria. Existem, também, diversas linhas intermunicipais e interestaduais, dentre elas para o Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Vitória, além de capitais e cidades do Nordeste.

Informações geográficas

– Campos é o maior município em extensão territorial do Estado do Rio de Janeiro, com uma área de 4.469km2 na zona fisiográfica da Baixada Campista;

– Localizado ao Norte do Estado do Rio de Janeiro, a 234 km da capital, o território de Campos é cortado pelo Rio Paraíba do Sul e afluentes;

– Sua topografia é formada por baixada (altitude de 5 a 14 m), por tabuleiros bem ondulados (30 a 70 m), correspondendo a 31% da área do município, e por uma região serrana (pico mais alto São Mateus: 1.605 m de altitude), correspondente à metade da área regional.

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