Audiência Pública apresenta plano de metas, crise hídrica e vocações regionais na UFRRJ

O auditório do câmpus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em Campos, foi palco de mais uma audiência pública na noite desta quarta-feira (19) para debater o Plano de Metas do quadriênio 2017/2020 da Prefeitura de Campos para o setor rural.  Os segmentos da Agricultura e Pesca foi abordado pelo superintendente de Planejamento, Marcel Cardoso, que apresentou as propostas do plano de gestão voltadas, entre outras metas, para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da agricultura familiar no município.

O superintendente de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Nildo Cardoso, fez ampla apresentação das atividades realizadas desde o inicio deste ano, apresentou próximos eventos de interação com as comunidades rurais, incluindo os assentamentos do Incra e anunciou a reabertura da  CEASA (Centrais de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro), no distrito de Guarus.

Próxima Audiência Pública na Cândido Mendes – As audiências são obrigatórias conforme o Artigo 77 da Lei Orgânica do Município. A próxima Audiência Pública de apresentação do Plano de Metas acontecerá na próxima segunda-feira (24) na Universidade Cândido Mendes, a partir das 18h30. Os temas que vão estar em debate serão Cooperação, Gestão Pública, Tecnologia da Informação e Transparência. Consta na agenda que na sequência serão realizadas audiência no dia 25 sobre Educação no Colégio Eucarístico, às 18h30, e no dia 26, Audiência Geral, a partir das 18h30 no auditório do Sesi em Guarus.

Após apresentação das visitas e realizações no primeiro trimestre, como o início da dragagem do Canal Coqueiros, os serviços de preparo do solo com tratores na pequenas propriedades, e doação de mudas frutíferas, Nildo Cardoso apresentou as próximas metas, como a dragagem do Canal Cambaíba, a implantação de Núcleos de Apoio aos Pescadores Artesanais da Lagoa Feira, Lagoa de Cima, Lagoa do Campelo e Farol de São Tomé. “Os Núcleos vão ministrar cursos de capacitação para beneficiamento e armazenamento do pescado”.

Parcerias com governo do Estado e Federal – “É acreditar e investir no homem do campo mesmo com nossas limitações, buscando parcerias junto aos governos Estadual e Federal.  Quero ver o Ceasa voltar a funcionar, mas, para isso, precisamos produzir. Precisamos de uma frota de tratores própria, acabar com essa terceirização de equipamentos que, entre 2013 a 2015, consumiu mais de R$20 milhões dos cofres públicos. Com metade desse valor, daria para comprar toda uma frota e equipamentos para preparar as estradas para o escoamento da produção, disse o superintendente.

Críticas das entidades – Foi inexpressiva a presença de produtores rurais e de dirigentes de entidades representativas do setor da pesca. As críticas mais contundentes foram em relação as propostas de fomento para desenvolver a agricultura, a pecuária e a pesca. O horário entre 19h e 22h) também foi criticado, pelo fato das comunidades rurais.

ficarem distante da cidade até 70 quilômetros e de não ter sido providenciado transporte para que pudessem participar da audiência pública, conforme reclamou a representante dos pescadores e agricultores da Lagoa de Cima, que embora fique cerca de 12 quilômetros do Centro de Campos, não contam com transporte coletivo no horário noturno.

O presidente do Sindicato Rural de Campos, Ronaldo Bartholomeu ds Santos Junior fez duras críticas. Ele destacou as dificuldades que o produtor rural encontra para desenvolver as atividades, e disse que enquanto foi anunciado subsídio para o diesel dos pescadores do Farol de São Tomé, nada de maior relevante foi apresentado para os produtores do campo. “Isso que foi apresentado aqui (as metas) é medíocre”, disparou Ronaldo.

“Campos será referência na Pesca e Aquicultura Contudo”

Contudo, na presença de representantes das principais entidades do setor, como a Asflucan (Associação dos Plantadores de Cana do Norte Fluminense), o superintendente de Planejamento, Marcelo Cardoso reafirmou que agricultura e a pecuária podem diminuir a dependência econômica que a cidade possui. Os  executivos da Prefeitura anunciaram que Campos será referência em pesca e aquicultura, embora reconheçam a aquicultura no município é praticamente inexistente, conforme destacou o superintendente de Pesca e Aquicultura, José Armando Barreto.

_ Campos detém as condições ambientais e geográficas necessárias ao crescimento desse setor rural, aliado a sua vocação histórica. Esta audiência de uma das ações mais estratégicas do governo. A Agricultura e Pesca, dentro da lógica do Programa “Campos para Além dos Royalties”, são mais que vocações regionais, são estratégias viáveis em relação à dependência ao petróleo e o gás. Campos é um município de maior extensão territorial do estado, logo, ao desenvolvermos esse trabalho, nosso município possui todas as condições de virar referência na agricultura no estado do Rio de Janeiro – afirmou Marcel Cardoso.

O superintendente adjunto de Pesca e Aquicultura, José Armando Barreto, enfatizou que Campos pode ser um polo produtivo aquícola e apresentou o Plano Mais Desenvolvimento Aquicultura e Pesca. “ Nosso objetivo é promover o desenvolvimento sustentável da aquicultura e pesca articulando todos os envolvidos nesse segmento, consolidando políticas públicas com inclusão social e garantir a segurança alimentar. O foco deste planejamento é a aquicultura familiar, pois estamos trabalhando para que Campos se transforme em referência regional no setor”, anunciou.

Rep: Jualmir Delfino

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